O mercado de medicamentos para hipertensão iniciou 2026 em ritmo de crescimento, segundo levantamento exclusivo da Interplayers*. No acumulado de janeiro a março, o setor registrou alta de 7% no faturamento e de 9% em unidades comercializadas, indicando um início de ano mais aquecido em comparação com o comportamento recente do mercado.
Já no recorte móvel de 12 meses (abril de 2025 a março de 2026) o cenário se mostra mais estável, com crescimento de 3% em faturamento e leve retração de 1% no volume de unidades. O contraste entre os períodos sugere uma retomada gradual, ainda marcada por diferenças regionais relevantes.
Desempenho varia entre estados e regiões
Entre os principais mercados, São Paulo apresentou crescimento consistente, com alta de 10% no faturamento e 4% em unidades no primeiro trimestre de 2026. No Rio de Janeiro, após um período de estabilidade no recorte anual, o início do ano também trouxe sinais de recuperação, com avanço de 8% em faturamento e 2% em volume.
Em outras regiões, os resultados mostram um cenário mais heterogêneo. Rondônia registrou o maior crescimento no período, enquanto outros, como Roraima, registraram uma retração significativa, evidenciando dinâmicas locais distintas no consumo de medicamentos para hipertensão.
No recorte regional, o Sul liderou o crescimento no início de 2026, com alta de 10% no faturamento, impulsionado principalmente pelo desempenho do Rio Grande do Sul. O Sudeste também apresentou evolução positiva, com crescimento de 9% em faturamento e 3% em unidades no período.
Condições de saúde da população impulsionam demanda por medicamentos
O crescimento no volume pode estar mais relacionado ao aumento da prevalência da hipertensão e de fatores de risco na população do que necessariamente à continuidade dos tratamentos.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a hipertensão cresceu 31% entre 2006 e 2024, atingindo cerca de 30% da população adulta nas capitais brasileiras.
No mesmo período, a obesidade avançou 118%, impactando aproximadamente 26% dos adultos, além do envelhecimento da população brasileira, fatores que contribuem para a maior demanda por medicamentos dessa categoria.
Ao mesmo tempo, o desempenho mais moderado no recorte de 12 meses reforça um cenário de estabilização, ainda marcado por diferenças relevantes entre regiões e estados. Esse contexto evidencia a importância de acompanhar os fatores de risco e ampliar o acesso ao tratamento no país.
*Os dados consideram programas de fidelização (sell-out) e o canal comercial (sell-in) dentro da categoria de medicamentos para hipertensão. A entrada ou saída de medicamentos dessas iniciativas pode influenciar os resultados.


